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quinta-feira, 2 de abril de 2026
COMENDA ALZIRA SORIANO
O SENADO FEDERAL
PROJETO
DE RESOLUÇÃO DO SENADO
Nº DE 2023
INSTITUI,
NO ÂMBITO DO SENADO FEDERAL, A COMENDA ALZIRA SORIANO
RESOLVE:
Art. 1º É
instituída, no âmbito do Senado Federal, a Comenda Alzira Soriano, destinada a
agraciar mulheres que se destacaram na carreira política.
Art. 2º A
Comenda, acompanhada da concessão de diploma de menção honrosa, será concedida
anualmente pela Mesa do Senado Federal a até cinco agraciadas, durante sessão
especialmente convocada para esse fim.
Art. 3º A
indicação das candidatas, acompanhada de justificativa, será realizada por
qualquer Senador ou Senadora da República.
Art. 4º
Para proceder à apreciação das indicações e à escolha das agraciadas, será
constituído o Conselho da Comenda Alzira Soriano, composto por um Senador ou
uma Senadora de cada um dos partidos políticos com representação no Senado
Federal.
§ 1º A
composição do Conselho a que se refere o caput será renovada a cada dois anos,
entre os meses de fevereiro e março da primeira e da terceira sessões
legislativas ordinárias de cada legislatura, permitida a recondução de seus
membros.
§ 2º O
Conselho definirá, a cada ano, o período de recebimento das indicações e a data
de premiação das agraciadas.
Art. 5º
Uma vez escolhidas as agraciadas, seus nomes serão amplamente divulgados pelos
meios de comunicação do Senado Federal e em sessão plenária. SF/23096.17516-47
2
Art. 6º
Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
JUSTIFICAÇÃO
JUSTIFICAÇÃO DA SENADORA ZENAIDE MAIA CALADO PEREIRA DOS SANTOS
Luiza
Alzira Teixeira Soriano nasceu em 29 de abril de 1897, em Lajes, atualmente
Jardim de Angicos, município do Estado do Rio Grande do Norte. Era a filha mais
velha de Margarida de Vasconcelos e de Miguel Teixeira de Vasconcelos, coronel
da Guarda Nacional, líder político da região, detentor de vastas propriedades
rurais e também o maior comerciante da cidade, que se beneficiava da constante
passagem de viajantes. A tradicional família residia na Fazenda Primavera,
local onde importantes reuniões políticas da região eram realizadas.
Alzira
casou-se aos 17 anos, em 29 de abril de 1914, com THOMAZ SORIANO DE SOUZA FILHO,
promotor público natural de Pernambuco, e tiveram juntos quatro filhas. Em
janeiro de 1919, Thomas faleceu devido à gripe espanhola, deixando Alzira
grávida de sua quarta filha, com apenas 22 anos de idade. Após a morte do
marido, volta a residir na Fazenda Primavera e começa a se envolver nas
atividades políticas lideradas por seu pai.
No Brasil
da época não se permitia o sufrágio feminino. O Rio Grande do Norte, contudo,
foi pioneiro no tema ao aprovar a Lei Estadual nº 660, de 25 de outubro de
1927, que garantiu às mulheres potiguares o direito de votar e serem votadas. O
texto estabelecia a vedação de qualquer distinção de gênero para o exercício da
cidadania. O governador José Augusto Bezerra de Medeiros justificou a
assinatura da lei com base em uma leitura atenta da Constituição de 1891, que
não vedava expressamente o voto feminino. A professora Celina Guimarães Viana
tornou-se a primeira eleitora do País e, em abril de 1928, a primeira mulher a
votar.
As
habilidades políticas de Alzira Soriano começaram a se destacar durante uma
reunião realizada na Fazenda Primavera em meados de 1928, quando o governador
Juvenal Lamartini e a líder feminista Bertha Lutz impressionaram-se com a
jovem. Lutz estava no Estado discutindo com Lamartini a possibilidade de
apresentar uma candidatura feminina nas eleições municipais daquele ano.
Com o
apoio do pai, de Lamartini e de Bertha Lutz, Alzira concordou em concorrer à
prefeitura de Lajes como candidata do Partido Republicano. Enfrentou ofensas
misóginas e machistas em sua campanha, SF/23096.17516-47 3 que incluíam
insinuações de que mantinha um caso com o governador e que, por ser uma "mulher
pública", era prostituta. Apesar disso, em setembro, venceu as eleições
com 60% dos votos válidos, tornando-se, aos 32 anos, a primeira prefeita mulher
não só do Brasil, mas também da América Latina. No dia 8 de setembro daquele
ano, Alzira foi destaque em reportagem do jornal The New York Times, que
ressaltava a eleição de uma mulher em um país que sequer havia universalizado o
direito ao voto feminino
Alzira
formou um gabinete composto exclusivamente por homens e, como prefeita,
desempenhou um papel crucial na construção de estradas, mercados públicos e na
melhoria da iluminação pública da cidade. Durante seu mandato, supervisionou a
construção de novas estradas, incluindo a que liga Cachoeira do Sapo a Jardim
de Angicos, além de construir escolas e implementar a iluminação pública a
vapor.
Na
eleição presidencial de 1930, Alzira manifestou seu apoio ao paulista Júlio
Prestes. No entanto, com a Revolução de 1930 e a chegada de Getúlio Vargas à
presidência, todos os prefeitos do País foram substituídos por interventores.
Apesar de ter sido convidada a permanecer como interventora municipal, optou
por não aceitar o cargo. Antes de deixar a prefeitura, Alzira visitou seus
eleitores para agradecer o apoio que recebeu em seu curto, porém, significativo
mandato.
Alzira
muda-se para Natal, capital do Estado, em 1932, em busca de melhores opções de
ensino para suas filhas, lá permanecendo até 1939, quando sua última filha se
casou. Após retornar à Fazenda Primavera, reconstrói sua carreira política e
assume a gestão da fazenda com seus irmãos, após a morte de seu pai, Miguel.
Alzira
muda-se para Natal, capital do Estado, em 1932, em busca de melhores opções de
ensino para suas filhas, lá permanecendo até 1939, quando sua última filha se
casou. Após retornar à Fazenda Primavera, reconstrói sua carreira política e
assume a gestão da fazenda com seus irmãos, após a morte de seu pai, Miguel.
Em 1961,
ao descobrir um câncer de útero, Alzira busca tratamento médico para a doença
no Rio de Janeiro. Infelizmente, diante do estágio avançado da enfermidade,
opta por retornar a seu Estado, onde faleceu, em Natal, em 28 de maio de 1963,
aos 66 anos de idade.
Destacar-se
politicamente em pequena localidade do sertão do Nordeste, articular apoios
para suas candidaturas e obter o respeito da SF/23096.17516-47 4 sociedade em
que vivia demonstra habilidade ímpar dessa mulher, que serve e servirá de
exemplo para tantas outras de nosso país
Alzira
Soriano fez valer seus ideais em uma época em que o papel da mulher costumava
se limitar, unicamente, aos cuidados da casa e dos filhos. Exemplos como o
dela, de se impor em uma sociedade machista e, em determinados âmbitos,
totalmente masculina, são fundamentais para que outras mulheres se sintam
estimuladas a ocupar os lugares de poder da política.
Somente
com a publicação do Código Eleitoral em 1932, ou seja, há 91 anos, o voto
feminino foi autorizado em todo o país. A partir desse momento, as brasileiras
puderam exercer o direito de voto e eleger seus representantes. Dados de 2022
do IBGE indicam que mais da metade da população brasileira (51,13%) é feminina,
representando, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, 53% do eleitorado.
No
entanto, a presença das mulheres nos cargos políticos ainda é limitada. As
mulheres ocupam apenas 15% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 13% no
Senado. Nas assembleias estaduais, a situação é semelhante, com apenas 161
mulheres eleitas, o que também representa uma média de 15% do total de cargos.
Desde o
início da República, em 1889, o Brasil teve apenas uma presidente, Dilma
Rousseff, e somente 16 governadoras mulheres. Dessas, apenas oito foram eleitas
para o cargo, enquanto as demais assumiram como vice-governadoras após a saída
dos titulares. Essas oito governaram seis estados: Maranhão, Rio Grande do
Norte, Pará, Rio de Janeiro, Roraima e Rio Grande do Sul, sendo que três delas
governaram o Rio Grande do Norte.
Além
disso, o ranking "Mulheres nos parlamentos", compilado pela União
Interparlamentar com base em informações fornecidas pelos parlamentos nacionais
de quase 190 países, revelou que em 2022 o Brasil ocupava a 129ª posição
Por essas
razões, propomos a instituição, no âmbito do Senado Federal, da Comenda Alzira
Soriano, destinada homenagear mulheres que tenham tido papel de destaque na
área política.
Contamos,
assim, com o apoio das Senadoras e Senadores para a aprovação deste importante
projeto.
Sala das
Sessões,
SENADORA ZENAIDE MAIA CALADO PEREIRA DOS SANTOS
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