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quinta-feira, 2 de abril de 2026
JUSTIFICAÇÃO
Luiza
Alzira Teixeira Soriano nasceu em 29 de abril de 1897, em Lajes, atualmente
Jardim de Angicos, município do Estado do Rio Grande do Norte. Era a filha mais
velha de Margarida de Vasconcelos e de Miguel Teixeira de Vasconcelos, coronel
da Guarda Nacional, líder político da região, detentor de vastas propriedades
rurais e também o maior comerciante da cidade, que se beneficiava da constante
passagem de viajantes. A tradicional família residia na Fazenda Primavera,
local onde importantes reuniões políticas da região eram realizadas.
Alzira
casou-se aos 17 anos, em 29 de abril de 1914, com THOMAZ SORIANO DE SOUZA FILHO,
promotor público natural de Pernambuco, e tiveram juntos quatro filhas. Em
janeiro de 1919, Thomas faleceu devido à gripe espanhola, deixando Alzira
grávida de sua quarta filha, com apenas 22 anos de idade. Após a morte do
marido, volta a residir na Fazenda Primavera e começa a se envolver nas
atividades políticas lideradas por seu pai.
No Brasil
da época não se permitia o sufrágio feminino. O Rio Grande do Norte, contudo,
foi pioneiro no tema ao aprovar a Lei Estadual nº 660, de 25 de outubro de
1927, que garantiu às mulheres potiguares o direito de votar e serem votadas. O
texto estabelecia a vedação de qualquer distinção de gênero para o exercício da
cidadania. O governador José Augusto Bezerra de Medeiros justificou a
assinatura da lei com base em uma leitura atenta da Constituição de 1891, que
não vedava expressamente o voto feminino. A professora Celina Guimarães Viana
tornou-se a primeira eleitora do País e, em abril de 1928, a primeira mulher a
votar.
As
habilidades políticas de Alzira Soriano começaram a se destacar durante uma
reunião realizada na Fazenda Primavera em meados de 1928, quando o governador
Juvenal Lamartini e a líder feminista Bertha Lutz impressionaram-se com a
jovem. Lutz estava no Estado discutindo com Lamartini a possibilidade de
apresentar uma candidatura feminina nas eleições municipais daquele ano.
Com o
apoio do pai, de Lamartini e de Bertha Lutz, Alzira concordou em concorrer à
prefeitura de Lajes como candidata do Partido Republicano. Enfrentou ofensas
misóginas e machistas em sua campanha, SF/23096.17516-47 3 que incluíam
insinuações de que mantinha um caso com o governador e que, por ser uma "mulher
pública", era prostituta. Apesar disso, em setembro, venceu as eleições
com 60% dos votos válidos, tornando-se, aos 32 anos, a primeira prefeita mulher
não só do Brasil, mas também da América Latina. No dia 8 de setembro daquele
ano, Alzira foi destaque em reportagem do jornal The New York Times, que
ressaltava a eleição de uma mulher em um país que sequer havia universalizado o
direito ao voto feminino
Alzira
formou um gabinete composto exclusivamente por homens e, como prefeita,
desempenhou um papel crucial na construção de estradas, mercados públicos e na
melhoria da iluminação pública da cidade. Durante seu mandato, supervisionou a
construção de novas estradas, incluindo a que liga Cachoeira do Sapo a Jardim
de Angicos, além de construir escolas e implementar a iluminação pública a
vapor.
Na
eleição presidencial de 1930, Alzira manifestou seu apoio ao paulista Júlio
Prestes. No entanto, com a Revolução de 1930 e a chegada de Getúlio Vargas à
presidência, todos os prefeitos do País foram substituídos por interventores.
Apesar de ter sido convidada a permanecer como interventora municipal, optou
por não aceitar o cargo. Antes de deixar a prefeitura, Alzira visitou seus
eleitores para agradecer o apoio que recebeu em seu curto, porém, significativo
mandato.
Alzira
muda-se para Natal, capital do Estado, em 1932, em busca de melhores opções de
ensino para suas filhas, lá permanecendo até 1939, quando sua última filha se
casou. Após retornar à Fazenda Primavera, reconstrói sua carreira política e
assume a gestão da fazenda com seus irmãos, após a morte de seu pai, Miguel.
Alzira
muda-se para Natal, capital do Estado, em 1932, em busca de melhores opções de
ensino para suas filhas, lá permanecendo até 1939, quando sua última filha se
casou. Após retornar à Fazenda Primavera, reconstrói sua carreira política e
assume a gestão da fazenda com seus irmãos, após a morte de seu pai, Miguel.
Em 1961,
ao descobrir um câncer de útero, Alzira busca tratamento médico para a doença
no Rio de Janeiro. Infelizmente, diante do estágio avançado da enfermidade,
opta por retornar a seu Estado, onde faleceu, em Natal, em 28 de maio de 1963,
aos 66 anos de idade.
Destacar-se
politicamente em pequena localidade do sertão do Nordeste, articular apoios
para suas candidaturas e obter o respeito da SF/23096.17516-47 4 sociedade em
que vivia demonstra habilidade ímpar dessa mulher, que serve e servirá de
exemplo para tantas outras de nosso país
Alzira
Soriano fez valer seus ideais em uma época em que o papel da mulher costumava
se limitar, unicamente, aos cuidados da casa e dos filhos. Exemplos como o
dela, de se impor em uma sociedade machista e, em determinados âmbitos,
totalmente masculina, são fundamentais para que outras mulheres se sintam
estimuladas a ocupar os lugares de poder da política.
Somente
com a publicação do Código Eleitoral em 1932, ou seja, há 91 anos, o voto
feminino foi autorizado em todo o país. A partir desse momento, as brasileiras
puderam exercer o direito de voto e eleger seus representantes. Dados de 2022
do IBGE indicam que mais da metade da população brasileira (51,13%) é feminina,
representando, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, 53% do eleitorado.
No
entanto, a presença das mulheres nos cargos políticos ainda é limitada. As
mulheres ocupam apenas 15% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 13% no
Senado. Nas assembleias estaduais, a situação é semelhante, com apenas 161
mulheres eleitas, o que também representa uma média de 15% do total de cargos.
Desde o
início da República, em 1889, o Brasil teve apenas uma presidente, Dilma
Rousseff, e somente 16 governadoras mulheres. Dessas, apenas oito foram eleitas
para o cargo, enquanto as demais assumiram como vice-governadoras após a saída
dos titulares. Essas oito governaram seis estados: Maranhão, Rio Grande do
Norte, Pará, Rio de Janeiro, Roraima e Rio Grande do Sul, sendo que três delas
governaram o Rio Grande do Norte.
Além
disso, o ranking "Mulheres nos parlamentos", compilado pela União
Interparlamentar com base em informações fornecidas pelos parlamentos nacionais
de quase 190 países, revelou que em 2022 o Brasil ocupava a 129ª posição
Por essas
razões, propomos a instituição, no âmbito do Senado Federal, da Comenda Alzira
Soriano, destinada homenagear mulheres que tenham tido papel de destaque na
área política.
Contamos,
assim, com o apoio das Senadoras e Senadores para a aprovação deste importante
projeto.
Sala das
Sessões,
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